O chute que ninguém viu

por Administrador - 17/06/2014 - 10:43

A abertura da Copa do Mundo foi na quinta-feira (dia 12/06) e, anteriormente permeada de críticas de todo o tipo, não foi nem de longe o que esperava-se, ainda mais com o exoesqueleto criado por brasileiros que permite que paraplégicos andem novamente controlada pela atividade cerebral.

A equipe que projetou o exoesqueleto – a la Tony Stark, devemos reconhecer –  é formada por 156 pesquisadores liderados pelo neurocientista Miguel Nicolelis, que já apareceu na lista dos 20 cientistas mais importantes do mundo e já foi indicado ao prêmio Nobel. Um dos destaques do exoesqueleto é que ele também permitirá ao usuário “sentir” o movimento e o contato com o chão, com informações advindas de circuitos nos pés da estrutura.

Para chegar a esse modelo que fora apresentado na abertura da Copa do Mundo, Nicolelis vem trabalhando desde 1984, quando focou seu doutorado na exploração de conexões neurais no controle muscular. A ideia da “armadura” no estilo Tony Stark veio mais tarde, em 2002, e desde 2009 os esforços estão direcionados em fazer essa demonstração científica em meio à maior festa do futebol no mundo.


O projeto é chamado Walk Again e há muito sua participação na abertura da Copa é esperada: um voluntário, utilizando o exoesqueleto, daria o primeiro chute da Copa no gramado do Itaquerão, e foi isso que aconteceu. No entanto, não foi bem como esperado: a cena foi super rápida – Nicolelis disse que a FIFA só liberou 29 segundos para o experimento, um tempo absurdo para um experimento dessa dificuldade e importância. “Nunca ninguém fez uma demonstração em 29 segundos de robótica. Isso não existe em lugar nenhum do mundo. Foi um esforço dramático de todas essas pessoas que estão aqui. E nós realizamos em 16″, disse o neurocientista ao G1.

E o pior de tudo foi a filmagem do chute: nessa hora, a Rede Globo dividiu a tela com a chegada do ônibus da seleção brasileira ao Itaquerão, e a narração de Galvão Bueno ficou só sobre o ônibus. Nem nos outros canais foi mostrado exatamente o que aconteceu, e, se mostraram, foi uma explicação bem rápida e rasa.

Isso prova a prioridade que a ciência tem por aqui, que foi comprovada durante a abertura da Copa do Mundo, quando o mundo todo está assistindo nosso País. Mas, apesar do tempo curto e da negligência da Rede Globo em mostrar e noticiar o feito, ele ocorreu e, sim, foi um momento histórico para a ciência no Brasil (e no mundo) e para quem se importa com ela.

Fonte: Tecnoblog

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